Política

Joice Hasselmann diz que traição é ‘modus operandi’ do governo Bolsonaro

Destituída do cargo de líder do governo no Congresso, após apoiar a manutenção do delegado Waldir (GO) na liderança do PSL na Câmara, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) criticou o presidente Jair Bolsonaro por “interferir na escolha direta de um líder sendo este líder seu filho”. Segundo ela, ao manobrar o partido para que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) assumisse o lugar de Waldir, Bolsonaro “interferiu no Poder Legislativo”, usando a estrutura do Palácio e a força do cargo.

Em entrevista ao GLOBO, Joice afirmou que sua retirada da liderança no Congresso “é uma traição clara”, mas que não se surpreende. Isso porque, nas palavras da deputada, é o “modus operandi” que se abate contra todos que “tiveram uma confiança dedicada ao presidente”, citando como exemplo auxiliares demitidos por Bolsonaro, como Gustavo Bebianno, ex-secretário-geral da Presidência, e Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo.

Joice também criticou Eduardo Bolsonaro, afirmando que ele se juntou com um grupo de deputados querendo “implodir o partido”. Bolsonaro, segundo áudios vazados, atuou pessoalmente, conversando com os deputados para que destituíssem de Waldir em favor do filho. A crise que atinge o PSL fez o partido rachar entre o grupo que apoia Bolsonaro e os fieis ao presidente da sigla, Luciano Bivar.

Como a senhora viu a destituição da liderança?

Eu já estava esperando que houvesse alguma retaliação, porque eu não quis fazer o jogo que foi proposto pelo Eduardo (Bolsonaro) e um grupo de deputados que que queriam implodir o partido. Até porque isso acaba ferindo uma palavra que foi dada pela maioria do partido a pedido do próprio Eduardo lá no começo do nosso mandato. Eu mesma fui contra fazer um líder por lista, o Eduardo pediu, veio conversar e sugeriu o Waldir. Para apaziguar, demos a palavra que durante esse ano ele seria o líder. Não dá para mudar a palavra de acordo com os ventos. Ninguém aqui é biruta de aeroporto.

Não achei correto o uso da estrutura do Palácio e da força do próprio presidente para interferir num outro poder, interferir no Poder Legislativo, interferir na escolha direta de um líder, sendo este líder seu filho. Até porque é uma briga absolutamente desproporcional. Você tem um grupo de deputados (de um lado) e o presidente da República (de outro). E mesmo assim, vimos que não houve força suficiente.

Eu não participei e não concordo. E por não concordar e ter assinado a lista do delegado Waldir, para cumprir uma palavra empenhada com o próprio Eduardo no começo do ano, acabei sendo punida por isso. Mas já imaginei que isso fosse acontecer, tanto que já tinha avisado dentro do partido que na semana que vem entregaria minha liderança. Eles se anteciparam e me comunicaram pela imprensa. Fiquei sabendo pela imprensa.

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Jornal Piauí

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